quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Barco ao mar.

Caminha na areia ainda quente como quem vai para um calvário; naquele fim de tarde que de tão melancólico parece perfeito. O mar calmo, sem nenhuma brisa para agitá-lo, com o sol parcialmente mergulhado, completando a obra. Mas por dentro tudo é tempestade, quer explodir em gritos e protestos. Respira fundo e continua. Chega à beira do oceano, molha as pontas dos pés e a água gelada lhe causa um arrepio.
Ela se agacha e devagar deixa o pequeno barco ir, dói profundamente se desfazer dele. Tão lindo, apesar de ter sido construído com toda sua presa e impaciência. Ela é assim, só consegue ser assim, sempre intensa. Ninguém pode saber, como lidaria com mais isso.
Quando começou a construí-lo achou que seria só mais um de seus brinquedos mal feitos. Como tantos outros, abandonados num canto, doados ou perdidos. Não, esse ficou completo, robusto, sabe que devido à presa tem pequenas imperfeições, apesar disso, ela o ama.  Tem que ter outro fim, um propósito maior que o esquecimento um novo destino. O coração aperta tanto que ela o sente entre os dentes.

Olha para as suas unhas vermelhas enquanto seu pequeno barco azul segue mar adentro, calmamente, indiferente a sua dor, afinal ele é só um barco.  Foi construído para naufragar em algum momento, não para transbordar. Como olhar para ele? Encolhida, envergonhada por não saber lidar com aquela perda. Ela não se despede, detesta despedidas. Simplesmente se vira e sai. Uma única lagrima sai de seus olhos e nela refletida toda dor desse adeus.
THelrigle.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Águas incertas

Muitas vezes tudo que temos é um sentimento incerto.
As feridas de um coração sofrido
O medo de encontrar cada vez mais seu...
E nas águas incertas em que navego.
Coração diminuto, tão pequeno.
Menor que o nó em minha garganta.
Tudo que quero é porto seguro
Um colo distante e um olhar forte
Carinho e a certeza que tudo ficará bem.
Pois hoje acordei, mais filha do que mãe.