sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O homem ideal.

De tanto pensar e sofrer minha vida toda pelas pressões sociais e as necessidades do estereótipo de perfeição feminina. E essa necessidade ridícula de se cumprir um papel de mulher ideal do imaginário masculino ao qual me recuso veementemente, me senti no direito de descrever o meu homem ideal.  E o que seria um homem ideal para mim?

Um que não se importe de ser trocado. Por muitas vezes eu preferirei a companhia dos meus filhos, ou dos meus pais, minhas irmãs e cunhados, meus amigos ou amigas, detalhe, sozinha com eles, não venha com essa de que “estarei sempre com você”, não curto apêndices.

Que não implique com meus trabalhos e colegas, amo minhas pesquisas e produções, em arte e em comunicação, não vou abrir mão de viajar para isso, de participar, de integrar algo que acho mágico, fascinante. Se quiser ser espectador ótimo, se não tranqüilo, só não interfira e não atrapalhe.

Entenda minha rotina. Preciso de certa ordem para viver, horas de sono, hora de comer e o que comer, academia e exercícios diários, assistir meus programas de TV e séries favoritos, ler e fazer as coisas no meu tempo, e a não ser que eu esteja realmente afim, não vou sair da minha paz a não ser que valha a pena, assim quando eu disser que vou em algum programa chato, saiba que gosto muito de você.

Aceite minha necessidade de reclusão. Vou me retirar, um dia ou dez dias não interessa, mas vou querer ficar sozinha, com meu vinho, meus livros, meus pensamentos e reflexões, em casa ou na fazenda, não vou responder suas mensagens nesse tempo, nem suas ligações, entenda não tenho nenhum problema com você só não quero conversar. É meu ócio criativo e nele não vai te caber.

Compreenda minha forma de amar e relacionar com o amor. Acho o apego desnecessário, ele para mim não é amor, é egoísmo. Para mim você deve ser livres para que eu possa estar ao seu lado e desfrutar de sua companhia. Não prenderei e não aceitarei me sentir presa.

Que não quero castelos cor de rosa e nem príncipes encantados. Já tenho meus castelos e eles são mais tenebrosos e cheios de labirintos que faiscantes e coloridos. Detalhe, sou uma guerreira não uma princesa e não preciso da sua proteção, sei me defender.

Para mim relacionamentos podem ser incríveis sem necessariamente ter que se encaixar nos padrões habituais. Posso até cozinhar para você de vez em quando ou te comprar um remédio, mas não sei se quero ou vou me casar e às vezes vou querer só sexo e diversão do relacionamento e não vejo nada de errado nisso.

Que tenha sua própria vida, seja independente, educado, cuide da sua saúde, corpo e aparência um mínimo possível para que eu perceba que possui amor próprio. Que valorize seus amigos e conquistas. Que não seja dado a exageros ou escândalos e não de piti ou faça cenas de ciúmes.


E por fim respeite minhas esquisitices porque afinal, vou sempre me dar a liberdade de mudar de opinião, de querer recomeçar, de buscar algo novo, como diz a Gabi tenho problemas e preciso fazer analise, mas não quero.
THelrigle

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mapas e becos



As minhas reflexões sempre me levam a algum lugar, mesmo que seja um beco sem saída nos quais devo deixá-la ali, como marco de que lá estive; um bilhete a minha memória. Mas não deve ser um bilhete qualquer, não só um x vermelho ou um ponto de interrogação indefinido. Deve ter tópicos especificando o prisma sob qual ela foi percorrida, creio eu que como um mapa de caça ao tesouro, quantos passos à direita e 30º à esquerda sob o sol do meio dia daquela afirmação em questão. 

Não sendo assim corremos o risco de percorrer sempre os mesmos caminhos em busca de novos resultados; fato mais que provado pelas frases clichês do face, que não nos leva a nada novo. Está ai o motivo do meu arquivo mental de mapas de caça ao tesouro e da minha necessidade aventuresca de não segui-los, já que este é um mapa reverso, que está para ser contestado.

Fato que muitas vezes ocorre ao mero acaso; se é que o acaso existe, outro beco. Você está ali, sentado a uma mesa com uma boa campainha assistido um excelente show e a letra da musica derruba um mapa da sua estante; deve ser o timbre, e ele cai no seu colo. Você criatura curiosa, abre-o e analisa sobe esse novo prisma dado pelo tempo, cruel amante das afirmações e dos contestadores.

E eu contestadora nata, sempre abro o mapa, mesmo que o carregue enrolado dentro da bolsa por alguns dias, minha insana curiosidade. É como olhar para mim através do tempo, rir da minha infantil ignorância da edição anterior. Ou me deliciar com a lembrança da aventura que me levou aquele nefasto beco, e redesenhar o mapa para novas paragens mais interessantes, ou até um novo beco. Porque como dizem os clichês, o que vale é a aventura vivida não o tesouro localizado no x vermelho, não é isso?

Sigo assim nessa relação de amor e ódio com o tempo, que me instiga, tira minha paz e me fascina a olhá-lo, já que sei que ele sempre terá algo novo. Pois de todas as afirmações que posso ou ousei contestar ao longe desta minha vida uma das melhores é a de Lulu Santos, que tudo muda o tempo todo no mundo; afirmação cíclica, já que se tudo muda o tempo todo, ela mesma pode ser mudada não?! Mas permanece imutável em relação a todas as outras mudanças constantemente ocorridas.

Mas a minha afirmação destes dias não é essa tão filosófica, é algo mais pessoal ou passional por assim dizer. Cheguei à conclusão que: Todos têm algo de doente ou de louco, e espero que minha loucura sempre prevaleça, pois quando o meu lado doentio prevalecer será fatal. 


THelrigle. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Um adeus a casa amarela.

Fui lá pela última vez e revi cada cômodo me despedindo desta velha vida. Minhas vizinhas já haviam partido; companheiras de longa data. Fique triste, pois não houve nem um até logo. Nem tanto pela dona Valdete, havia uma grade entre nós. Mas a Rosilene... Queria ter lhe dado um presente, lhe dito, vá com Deus.

Lembro-me, não como se fosse ontem, já se perderam alguns detalhes, ou muitos deles. Foi início de novembro de 2009, ou foi final? Bem, por ai. O fato é que sempre tive alma cigana, pelo menos desde que sai da casa dos meus pais. Era sempre dois ou três anos e começava a encaixotar as coisas. Podia sempre ir, pois tinha meu porto seguro.

Mas não na casa amarela. E olha que não tinha nada de especial. No fundo de outras duas casas, a garagem um corredor que apanhei para aprender a guardar meu carro, um sistema elétrico problemático. Toda amarela, o que deixava as fotos dentro da casa com uma cor bem especifica, coisa que minha filha detestava.

Cheguei à casa amarela com muito pouco nas mãos além de esperança. Era só mais uma chance, uma nova chance. Mesmo meio perdida, emprego incerto, futuro incerto eu sabia que seria feliz ali. Não que eu não tenha passado dificuldades, mas onde quer que eu estivesse, acho que as passaria, faz parte da vida...

Na casa amarela, minhas crianças deixaram de ser criança. Eu deixei de ser criança. Estabeleci novos limites e me perdi em minhas liberdades, cresci , amei, criei... Aprendi a ficar só, e amei ficar só. Amei o silencio das manhãs, amei poder ouvir meus pensamentos, amei não pensar em nada.  

Não é fácil construir algo sozinha, então pedi ajuda e construímos a três mãos, com três fortes pilares. Como eu vivi bem ali, foram anos maravilhosos. Tudo bem sou uma pessoa grata, pois sempre vivi maravilhas onde estive, mas lá foi especial. Lá na casa amarela, eu me encontrei, encontrei minha paz. Passei a ter um novo porto seguro, um construído por mim.

E quando abro o portão e tiro o carro pela última vez, quem vem na rua, improvável, Rosilene. E nos falamos pela última vez, conversamos como se ainda fossemos nos ver amanhã, como se ainda fossemos ser vizinhas, falamos da imobiliária, dos preços e do tempo. Não demos um abraço, nem um adeus, não trocamos telefones nem endereços. Inconscientemente sabíamos que tinha que ser assim. 

Houve só uma pausa e um profundo olhar. Um olhar que dizia tudo, me desculpe, vá com Deus, boa sorte e principalmente obrigada. Obrigada por estar sempre ali a uma janela de distância, obrigada por me fazer sentir segura, por não me julgar. Por não me dar bons dias vazios, mas ajudar-me em minhas solicitações. Obrigada por me ver, porque eu te vejo.

Enfim compreendi que é nas pausas que as mais profundas coisas são ditas. Entrei no carro e me dirigi para um novo capitulo dessa historia, da minha história. 
THelrigle


terça-feira, 3 de março de 2015

Quero ir embora

Sério, quero ir embora... Simplesmente sair e não brincar mais; emburrei. Se não é do meu jeito não jogo. Mas não é mais assim, a vida já não me permite mais essas meninices, não posso mais entrar no meu quarto e remoer minha infantilidade até a raiva passar. Ela me ensinou que para ser quem sou é preciso pagar o preço, sem parcelamento, sem desconto, sem choro nem vela. E como às vezes este é alto.

Vem um cansaço, uma preguiça, um desalento... Mas daí eu finjo. Finjo que sou forte, que tenho fé, que está tudo bem, que vai dar tudo certo. Vai que cola; me disseram uma vez que uma mentira contada mil vezes vira verdade então repito para mim um milhão, repito todo dia. Que eu vejo algum sentido nisso tudo, que não há tanto mal assim no mundo, que existe um propósito maior. Preciso crer em algo se não nem saio da cama.

Preciso acreditar que vale a pena ser saudável, comer corretamente e me exercitar, mesmo sabendo que posso morrer amanhã de uma tragédia qualquer. Que meu trabalho faz alguma diferença no mundo, ou pelo menos no mundo das pessoas ao meu lado, mesmo achando que não. Que minhas orações alimentam uma correte do bem que um dia se tornará tão forte e poderosa que vencerá a batalha, mesmo não as fazendo com tanta frequência.

Ou então paro de refletir nessas “mentiras” e entro no automático. E detesto viver no automático. Acordar por hábito, comer sem sabor, olhar sem beleza, andar sem prazer, viver sem amor... Já tem tantos vivendo assim e detesto ser mais um. Quero SER um. Gosto de sentir além da casca seca e queimada do dia, mesmo que seja uma seiva amarga como fel. Sou uma viciada em sentir e o que seria de mim se não fossem meus vícios.

Sentir todos os meus músculos doerem de tanto dançar, de tanto correr, de tanto lutar. Sentir o gosto doce da fruta quando tocar meus lábios, sentir o frio e a força da água de uma cascata, o calor, o arrepiar da pele, o coração partir e sorrir, sentir o prazer inigualável de se fazer o que quiser ou de não se fazer absolutamente nada.

E ai para ser tanto e tão profundamente tem a conta, a bendita conta do dia a dia.


 THelrigle

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

De repente

E de repente se eu quiser,
Deixo tudo acontecer
Ponho tudo a perder
Também posso esquecer...
Tranco tudo e vou embora.
Abro a janela lá de fora.
De repente já é hora.

             Tatiana Helrigle

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tempos perdidos...

Me sinto tão jovem mesmo tendo vivido tantas vidas. Vejo pessoas da minha idade correndo contra ou a favor do tempo. O tempo, eis nossa unica medida válida. Não esse tempo cortado em horas, mas o tempo de vida, irônico tempo. Vejo amigas da minha idade tendo seus filhos e os meus já estão quase adultos, foram anos de amor e dedicação. Outras casando ou loucas para tal. E eu já me casei, foi bom enquanto durou, mas sou muito mais feliz agora. Já vivi um grande e profundo amor e por amor o deixei, ou talvez já não creia mais nesse amor romântico e egoísta apesar de ainda senti-lo, creio no amor e estou tentando aprende-lo. Vejo como nossas escolhas nos levam por caminhos diversos e como o tempo é o mestre de toda nossa obra. Tanto planos nas mãos desse tempo... E quando o meu chegar ao fim quero dizer que vivi plenamente, celebrei com o mundo e as pessoas, tive amigos, família, me apaixonei, amei e fui amada. E de tudo, só isso que levarei.