segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mapas e becos



As minhas reflexões sempre me levam a algum lugar, mesmo que seja um beco sem saída nos quais devo deixá-la ali, como marco de que lá estive; um bilhete a minha memória. Mas não deve ser um bilhete qualquer, não só um x vermelho ou um ponto de interrogação indefinido. Deve ter tópicos especificando o prisma sob qual ela foi percorrida, creio eu que como um mapa de caça ao tesouro, quantos passos à direita e 30º à esquerda sob o sol do meio dia daquela afirmação em questão. 

Não sendo assim corremos o risco de percorrer sempre os mesmos caminhos em busca de novos resultados; fato mais que provado pelas frases clichês do face, que não nos leva a nada novo. Está ai o motivo do meu arquivo mental de mapas de caça ao tesouro e da minha necessidade aventuresca de não segui-los, já que este é um mapa reverso, que está para ser contestado.

Fato que muitas vezes ocorre ao mero acaso; se é que o acaso existe, outro beco. Você está ali, sentado a uma mesa com uma boa campainha assistido um excelente show e a letra da musica derruba um mapa da sua estante; deve ser o timbre, e ele cai no seu colo. Você criatura curiosa, abre-o e analisa sobe esse novo prisma dado pelo tempo, cruel amante das afirmações e dos contestadores.

E eu contestadora nata, sempre abro o mapa, mesmo que o carregue enrolado dentro da bolsa por alguns dias, minha insana curiosidade. É como olhar para mim através do tempo, rir da minha infantil ignorância da edição anterior. Ou me deliciar com a lembrança da aventura que me levou aquele nefasto beco, e redesenhar o mapa para novas paragens mais interessantes, ou até um novo beco. Porque como dizem os clichês, o que vale é a aventura vivida não o tesouro localizado no x vermelho, não é isso?

Sigo assim nessa relação de amor e ódio com o tempo, que me instiga, tira minha paz e me fascina a olhá-lo, já que sei que ele sempre terá algo novo. Pois de todas as afirmações que posso ou ousei contestar ao longe desta minha vida uma das melhores é a de Lulu Santos, que tudo muda o tempo todo no mundo; afirmação cíclica, já que se tudo muda o tempo todo, ela mesma pode ser mudada não?! Mas permanece imutável em relação a todas as outras mudanças constantemente ocorridas.

Mas a minha afirmação destes dias não é essa tão filosófica, é algo mais pessoal ou passional por assim dizer. Cheguei à conclusão que: Todos têm algo de doente ou de louco, e espero que minha loucura sempre prevaleça, pois quando o meu lado doentio prevalecer será fatal. 


THelrigle.